Tristezas leva-as o vento; (TP)

Vão no vento; andam no ar... (TP)

Anda a espuma à tona de água (TP)

E à flor da noite o luar... (TP)

Suspiros brandos e leves (TP)

De avezinhas a expirar; (TP)

Ermas sombras de canções (TP)

Que ficaram por cantar! (TP)

O teu silêncio que me embala é a ideia de naufragar (FP)

E a ideia de a tua voz soar a lira dum Apolo fingido...(FP)

Hoje o céu é pesado como a ideia de nunca chegar a um porto...(FP)

As sombras que rodeiam o êxtase (HH)

Jardins da Gulbenkian, Lisboa, Setembro 2004

os bichos que levam ao fim do instinto (HH)

seu bárbaro fulgor (HH)

O rosto divino impresso no lodo (HH)

Por isso é que nos desfazemos no arco do verão (HH)

no pensamento da brisa (HH)

no sorriso deserto (HH)

no peixe, no cubo, no linho, no mosto (HH)

no amor mais impossível do que a vida (HH)

E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente (HH)

das urzes, um silêncio, uma palavra (HH)

traz da montanha um pássaro de resina, uma lua vermelha (HH)

E então vinha a baforada do estio como se abrissem uma porta (HH)

defronte do ar redondo (HH)

Um dia a primavera era cruel como um coral de pérolas (HH)

Deixarei os jardins a brilhar com seus olhos detidos (HH)

Hei-de partir quando as flores chegarem à sua imagem. (HH)

Um espelho em frente do espelho... luz que se faz para se ver a luz (HH)

E as paredes com as pérolas afundadas (HH)

Está cheio de candeias, o verão de onde se parte (HH)

É a colera que me leva aos precipícios de agosto, e a mansidão traz-me às janelas (HH)

Estás profundamente na pedra e a pedra em mim (HH)

Quando o fruto empolga um instante, a eternidade inteira (HH)

eu estou no fruto como sol (HH)

e desfeita pedra, e tu és o silêncio (HH)

Meus olhos resgatam o que está preso na página: o branco do branco e o preto do preto. (HH)

As letras dormiam na noite inclinada, e eram silveiras bravas. (HH)

Por elas escorregava o sono inclinado: mercúrio, salsa leve. (HH)

Jardim Gulbenkian, Lisboa

Um mar horizontal corta os espelhos (SMBA)

Vau

E um sol de sal cintila sobre a mesa (SMBA)

Vau

Habitamos o ar livre rente ao dia (SMBA)

Vau

no correr de um rio, que me levou para o mar de longas crinas onde o caos recomeça - incorruptível (SMBA)

Vau

Falamos junto à luz. Lá fora a noite imóvel brilha sobre um mar parado (SMBA)

Vau

Porque acreditei que o mundo era sagrado e tinha um centro que duas águias definem no bronze de um voo imóvel e pesado (SMBA)

Vau

Desde a orla do mar onde tudo começou intacto no primeiro dia de mim (SMBA)

Zavial

Para fundar no sal e na pedra o eixo recto da construção possível (SMBA)

Zavial

E sob o peso leve da folhagem (SMBA)

Praia da Luz

A água que primeiro eu escutei já não se ouvia (SMBA)

Praia da Luz

E nadei de olhos abertos na tranparência das águas (SMBA)

Porto de Mós